domingo, 24 de janeiro de 2010

[Seis]

Deixa eu no meu mundinho
em tons pastéis

Apático e sem graça

Tão real, que chega
a não existir

Tão comum, que chega
a ser estranho

Tão chato, que chega
a interessar

Tão meu, que chega
a não me pertencer.

[Cinco]

Ah! Ansia maldita
que sobe pela garganta
e maltrata o que eu sou

Vontade incontrolavel
de botar tudo pra fora
Mesmo que esse tudo
não seja la tanta coisa...

Vomitar palavras
sobre algo que não importa
Escarrar desabafos
sobre algo que não devia ser dito

Deitar, descansar
Apodrecer

Ah! Ansia maldita
que me impede de viver.

sábado, 23 de janeiro de 2010

[Quatro]

E quando quebra-se a confiança
Rasgam-se os laços
E só restam vestigios de
alguma coisa

Um não sei o que
meio estranho
Um nó na garganta
Um aperto no peito
Uma dor

Algo diferente
Uma confusão na alma
uma duvida...
Qualquer coisa,
menos amor.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

[Tres]

Se, hipoteticamente, fossemos felizes
Poderiamos andar, passo a passo, sem pressa
Aproveitando o ar, respirando a vida
Sentindo a manhã amanhecer no nosso quarto

Se, hipoteticamente, ficassemos juntos
Poderiamos ser, sem medo do que seria
Andariamos sem destino, beijando o vento
E cada vez mais descobriríamos o amor

Se, hipoteticamente, houvesse motivos
Poderiamos nos perder, ainda assim
Viveriamos como jamais vivemos
E não precisariamos imaginar como seria se.

[Dois]

E eu me perdi
na euforia das horas
que não passavam

Eu me joguei no tempo
como se me jogasse
num vazio

Me afoguei em sonhos
Fui feliz ao sonhar
Mas só sonhei

Só.

[Um]

Vai ver a vida não foi feita
pra se viver
É tão complicado de explicar
falar, pensar
Agir corretamente, de maneira
errada.

É como correr, sem saber pra onde
Procurar nos rostos desconhecidos
afinidades
É como andar, olhando pro chão
Tentar entender os passos dados
perdidos

Mas, vai ver a vida
não foi feita pra se viver.